A base económica do Vale do Lima
A base económica do Vale do Lima foi estruturada até muito tardiamente pela agricultura, ainda que esta se revelasse cada vez mais periférica e com níveis decrescentes de rentabilidade. Progressivamente, o Vale do Lima foi-se convertendo numa área rural cada vez menos agrícola, em que a agricultura ocupa um lugar cada vez menos significativo na base económica e nos rendimentos das famílias.
As estruturas agrárias locais são dominadas pela pequena agricultura, pela pequena propriedade muito fragmentada em blocos dispersos, com culturas tradicionais destinadas ao auto-consumo e à comercialização em pequena escala, nos mercados locais, por produtores agrícolas de idade avançada e com técnicas de produção antiquadas, com pouca maquinaria agrícola e tecnologia e uma manifesta incapacidade de reestruturação e regeneração a curto prazo. Paralelamente, existe um conjunto de explorações de maior dimensão, ainda que em regra geral também divididas em blocos dispersos, ocupadas com vinha ou criação de gado para carne e leite, com produtividades económicas efetivas e com condições de competitividade.
A população agrícola da zona de intervenção do LEADER, correspondente à população familiar dos produtores agrícolas, desenvolvendo atividades nas explorações e gravitando em torno da atividade agrícola em exclusividade ou como atividade complementar, podia estimar-se em cerca de um terço da população residente total.
O declínio da agricultura no Vale do Lima é inexorável e todos os indicadores apontam para um processo de esgotamento progressivo. Os produtores agrícolas que trabalham a tempo total nas explorações são em cada vez em menor número, desenvolvendo cada vez mais actividades exteriores remuneradas. Da população agrícola, a que gravita em torno da exploração, uma parte significativa são jovens numa situação expectante procurando entrar no mercado de trabalho através de outras atividades paralelas.
Ponte de Lima e os Arcos de Valdevez tem vindo a concentrar grande parte do crescimento industrial e de novas atividades produtivas alternativas à agricultura tradicional na zona de intervenção do LEADER do Vale do Lima. As atividades dominantes para o Vale do Lima, como também para a média da Região do Norte e para o Continente, ao nível do número de empresas, era o comércio por grosso e a retalho; o ramo mais empregador era a indústria transformadora, seguindo-se a construção. O Turismo tem vindo a tornar-se um eixo estratégico e de grande importância na base económica da região, ainda que seja difícil de caraterizar o seu peso real e o seu desempenho através das estatísticas oficiais. Afirmando-se como um segmento importante, o Turismo no Espaço Rural e o Turismo de Habitação funciona num sistema informal, familiar, sem uma identificação clara das tarefas propriamente ligadas à atividade económica e a outras tarefas domésticas, não remuneradas, sendo difícil quantificar o peso real do sector. Ainda assim, recorrendo a indicadores indirectos, é possível obter um cenário qualitativo da atividade.

